A solidariedade entre cada faixa etária ressente-se da contaminação
financeira e da relação produção/consumo. Assim, se inventou a luta para a conquista do dinheiro, num gesto de imolação a favor dos mais novos. E repare-se como os idosos desaparecem desta preocupação, expatriados para as Casas de Repouso, transformadas em armazéns de uma espécie de desperdício humano. Estes centros são a panaceia moral e social, o mal menor – reconheça-se. Mas não são a solução escolhida pelos idosos […]


        Na tal tabanca de África, Ansumane Quelifá continua a reunir-se,
sob o centenário embondeiro, com o seu grupo de anciãos. À volta, os jovens dessa terra ainda imaculada aguardam ensinamentos de viver. Mig na sua aldeia perdida na imensidão da China, há-de morrer de velho, ensinando os jovens a serem homens. Nos Açores, resta a memória de um tempo em que ser solidário era tão natural como respirar ou ouvir o mar pelo búzio.


 In Olá pobreza. P. 34-35, 40

Sanjoaninas 2019
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